Durante a divulgação de Invocação do Mal 4, o ponto forte do marketing era afirmar o tempo todo este ser o último filme da franquia, o caso encerrou a carreira dos Warren – sugerindo um desfecho dramático. Poderia até ser uma piada.

O que assistimos é um filme que tenta ser terror, mas falha. Tenta ser drama familiar, mas não assume essa identidade. E ainda estraga o elemento principal de um filme de terror: provocar medo. Meu único susto foi causado pelo grito de uma moça ao meu lado, numa cena de jumpscare. Em contrapartida, o drama familiar funciona até bem terror em alguns momentos.

A família assombrada da vez são os Smurl, oito pessoas em uma casa assombrada na Pensilvânia.

Logo de início a família está em um fuzuê, se aprontando para a crisma de uma das quatro filhas. Após esse evento surge o espelho: a figura do mal é apresentada. O espelho incomoda as meninas e numa tentativa de livrarem-se dele temos uma das melhores cenas de terror do filme, uma das meninas começa a vomitar vidro e a família toda entra em pânico.

Logo a história degringola, a importância da família Smurl ficando em segundo plano com o surgimento dos Warren. O roteiro parece perder sua força, e a história vai nos levando para um final com uma cena de exorcismo patética, quase cômica, resolvida com duas mãos encostadas no espelho possuído.

O filme ainda nos leva a questionar a presença dos Warren na casa, afinal, eles não queriam envolvimento com o caso. Vão apenas porque a filha, contrariada à passividade dos pais em relação ao que aconteceu com o padre amigo da família, se rebela e decide ajudar os Smurl. Ed e Lorraine entram na história do terror da família ao acaso.

O filme ainda se apoio em repetir algumas coisas dos capítulos anteriores, como a presença de Annabelle, uma ligeira sugestão do Homem-Torto numa cena cômica, e ecos da Freira.

Todo o enredo de terror do no filme se resumiria a um ato: Lorraine chamando Judy e dizendo: “Bora ali no sótão pra botar a mão no espelho e por um capiroto pra correr?”

Nem tudo é desastre. A direção acerta em alguns pontos, como o contraste da iluminação e o carisma dos Warren. Patrick Wilson e Vera Farmiga seguram o filme com química invejável. E a cena final, em que Lorraine prevê o futuro dos dois, até emociona.

Depois de doze anos desde o primeiro filme, em 2013, a franquia merecia mais. Invocação do Mal 4 não era o final merecido. E a sensação de que falta alguma coisa fica ecoando dentro do expectador que tanto gostou de todos os filmes até então.

E aí, já assistiu Invocação do Mal 4? Deixa a sua opinião e acompanhe o PodMeuNerd.

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